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Baile na quaresma

  • Foto do escritor: Auro Valizi
    Auro Valizi
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Histórias da Fazendinha do Valizi



Imagem ilustrativa, gerada por OpenAI/ChatGPT
Imagem ilustrativa, gerada por OpenAI/ChatGPT

Certa vez, um fazendeiro vizinho resolveu fazer um baile. Mas o pessoal mais antigo alertou que não era época apropriada para festa porque estavam na quaresma. Mesmo assim, o fazendeiro resolveu fazer.


Assim, a vizinhança toda foi para o baile com aquela cisma na cabeça, de que quaresma é época perigosa, costuma aparecer lobisomem, mula sem cabeça e outras coisas assustadoras…


Como era costume na época, o baile acontecia embaixo de uma grande tolda (espécie de tenda) erguida no terreiro da fazenda, e os panos que eram utilizados na colheita do café eram emendados uns aos outros com barbante e utilizados para fazer a tolda. E o fazendeiro aproveitou para montar a tolda bem ao lado de um barranco, como se fosse a continuidade dele.


Lá pela meia-noite, quando a festa estava bem animada, o sanfoneiro tocando, os casais dançando, surgiu lá pra cima do barranco um montão de cachorros que vinham seguindo uma cadela que estava no cio.


De repente, esses cachorros começaram a brigar entre si e rolaram morro abaixo em direção à tolda. O cachorro que veio rolando à frente era dos grandes e tinha o pelo pretinho. Quando chegou em cima da tolda, o pano rasgou-se e o animal caiu sobre o sanfoneiro.


Como o pessoal já estava cismado com aquele baile em plena quaresma, a primeira pessoa que viu o bicho gritou: “É lobisomem!”. No mesmo instante, mais dois cachorrões vazaram através da tolda, embolados e brigando, e caíram sobre o primeiro cachorro. Foi quando alguém, mais assustado ainda, disse: “E não é só um lobisomem, não. São muitos!”. E o povão, desesperado, correu para todos os lados. E o sanfoneiro, coitado, até a sanfona deixou para trás.


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