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A história por trás do disco

  • Foto do escritor: Auro Valizi
    Auro Valizi
  • 10 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Em suas memórias, Zé Valizi recorda como foi a gravação do disco da dupla "Valizi & Valizinho"



Compacto da dupla Valizi & Valizinho, gravado em 1965 (Imagem/crédito: Auro Valizi/2025)
Compacto da dupla Valizi & Valizinho, gravado em 1965 (Imagem/crédito: Auro Valizi/2025)

Conforme já contei em outra ocasião, a dupla Valizi & Valizinho, formada por mim e pelo meu saudoso irmão Osvaldo Valizi, teve início lá na fazenda onde morávamos, quando ainda éramos adolescentes.


Em 1952 iniciamos nossas apresentações na Rádio Cultura (Ituverava-SP) através do programa de auditório “Brasil Sertanejo”. Posteriormente, junto com o nosso amigo acordeonista Oswaldinho (em memória), formamos o trio Valizi, Valizinho e Oswaldinho. As apresentações no “Brasil Sertanejo” seguiram-se por muitos anos.


Em 1958, já sem o acordeonista Oswaldinho, que havia se mudado para São Paulo-SP, quase conseguimos ingressar na Rádio Bandeirantes, o que não se concretizou porque às vésperas da nossa estreia o Valizinho adoeceu e tivemos que retornar para Ituverava, por recomendação médica.


Mesmo assim, alimentávamos o sonho de gravarmos um disco com nossas músicas. Mas naquela época era muito difícil fazer a gravação porque nem mesmo em cidades grandes do interior havia gravadora. Então, para gravar um disco, somente indo para a capital, São Paulo.


Em certa ocasião, o meu concunhado Devair (em memória), que morava em Santo André-SP, veio com a família dele passar o Natal em Ituverava. O Devair tinha um amigo lá em Santo André que tinha uma dupla, a qual havia gravado um disco. E o Devair havia comentado com aquele amigo dele que eu apresentava um programa sertanejo na Rádio Cultura de Ituverava, e o amigo pediu ao Devair que trouxesse um disco da dupla deles para eu tocar no meu programa.


Eu já havia recebido na Rádio Cultura vários discos da gravadora Califórnia, de artistas como Barrerito (com o Criolo), Canário e Passarinho, Praião e Prainha, Campanha e Cuiabano, Délio e Delinha, dentre outros. E quando vi que o disco da dupla do amigo do Devair tinha sido gravado também pela Califórnia, fiquei animado com a possibilidade da nossa dupla, Valizi & Valizinho, também gravar um disco naquela gravadora.


Naquela época, normalmente as gravadoras tinham mais interesse em gravar artistas já conhecidos do público, que pudessem proporcionar uma grande vendagem de discos. Dificilmente as gravadoras gravavam duplas desconhecidas. Mesmo assim resolvi tentar.


O meu cunhado Valdemar (em memória), que também morava na Grande São Paulo e que estava nos visitando em Ituverava, ao retornar à capital me levou até a gravadora Califórnia. Chegando lá, o diretor nos disse que gravava também duplas amadoras. Porém, teríamos que pagar pela gravação, a qual nos custaria Cr$ 300 (trezentos cruzeiros), e a gravadora ainda nos forneceria mil discos. Assim, agendamos a gravação para o mês de novembro de 1965.


Voltei para Ituverava e nos preparamos para fazer a gravação. Ensaiamos bem duas músicas de autoria do Valizinho: “Amor Fantasma” e “No Dia das Mães”. A música “No Dia das Mães” precisaria de uma menina para declamar um trecho. O diretor da gravadora nos disse que não era necessário levarmos uma menina porque ele conseguiria uma lá da capital, que já estava acostumada a gravar com outros artistas. Porém, chegado o dia e o momento de gravarmos, a tal menina que o diretor da gravadora ficou de conseguir não pôde comparecer. E então, na última hora, no lugar da música “No Dia das Mães” gravamos o “Xote da Despedida”.


Até então, o nome artístico da nossa dupla era Zé Valizi & Valizinho. Mas por sugestão da gravadora passamos a adotar o nome artístico Valizi & Valizinho. Ficamos também muito emocionados porque o sanfoneiro que nos acompanhou durante a gravação do nosso disco foi o Perigoso, de quem gostávamos muito porque ele já tinha gravado também com outros artistas já consagrados.


O Valizinho era compositor de outras músicas, as quais cantávamos no programa “Brasil Sertanejo” da Rádio Cultura de Ituverava. No ano 2000 estávamos selecionando e ensaiando um repertório para a gravação de um CD. Infelizmente, no mesmo ano o Valizinho adoeceu e faleceu, encerrando-se a trajetória da dupla. Dessa forma, a discografia da dupla Valizi & Valizinho ficou restrita ao primeiro (e único) disco de 1965.


(Matéria revisada/reeditada; publicada originalmente em “Fazendinha do Valizi – Memórias de José Valizi”, novembro/2015).


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