Carta: quando foi que você escreveu a última?
- Auro Valizi
- 14 de mai. de 2019
- 2 min de leitura

Se você pertence a uma geração mais jovem, talvez este artigo não lhe faça muito sentido. Mas se você tem um pouco mais de idade, irá compreender perfeitamente.
Décadas atrás havia pouquíssimos aparelhos telefônicos; pelo menos nas cidades pequenas do interior. E nessas localidades, quem os tinham em casa eram as famílias mais abastadas, que eram a minoria. Então, como é que a maioria das pessoas fazia para manter contato com seus parentes e amigos distantes? Através de telegrama (quando o assunto era urgente) ou carta.
Muitas vezes os parentes e amigos ficavam meses ou anos sem se verem. As notícias iam e vinham através de cartas. E toda vez que uma carta era enviada, o remetente ficava na expectativa de uma resposta, pois quem recebia uma carta tinha por costume respondê-la, mesmo que o assunto não necessitasse de resposta. Era um gesto de cortesia.
Atualmente, graças às inovações tecnológicas, a maioria das pessoas tem telefone (fixo e/ou celular) e cresce, a cada dia, o número de pessoas com acesso à internet. Com isso, ficou muito mais fácil e prático manter contato com as pessoas mais distantes, seja por telefone ou pela internet. Com essa praticidade, as cartas caíram em desuso. Afinal de contas, por que perder tempo escrevendo de próprio punho algo que pode ser digitado e enviado (ou falado) via internet ou telefone celular, de modo instantâneo?
Impacto afetivo muito grande
Entretanto, a carta tem um impacto afetivo muito grande. É altamente gratificante quando alguém recebe uma carta inesperada de algum parente ou amigo distante. Receber uma carta — escrita à mão — significa que o remetente tem apreço pelo destinatário, a tal ponto de dedicar-lhe algum tempo escrevendo-lhe de próprio punho.
Além disso, há também aquelas pessoas queridas por nós, com as quais — por não saberem utilizar as novas tecnologias — a gente não consegue interagir virtualmente. Que tal escrever-lhes uma carta?
No outro extremo há também todas aquelas pessoas com as quais estamos virtualmente em contato quase que diariamente, às quais temos o hábito de enviar, por vezes, uma enxurrada de mensagens eletrônicas. Que tal também surpreendermos algumas delas, enviando-lhes, vez ou outra, uma carta?
Guardando para sempre
Pode parecer estranho pensar desse jeito, pois dá-nos a sensação de retrocesso, de voltar no tempo. Mas a questão não é essa, pois não podemos abrir mão do uso da tecnologia, que veio para facilitar o nosso dia a dia. A intenção aqui é ressaltar que uma carta escrita à mão e enviada via correios carrega em si uma emoção ímpar. Quem recebe uma carta, principalmente nos dias de hoje em que o seu uso já não é tão habitual, provavelmente a guardará para sempre, como recordação de um gesto de estima e consideração. Se podemos proporcionar essa emoção a alguém, por que não fazê-lo?
E então? O que você acha de escrever uma carta de vez em quando para alguém que você muito estima, e enviá-la via correios? Pense nisso!
Fonte: periódico Miscelânea, edição 3, março/2019.
Commentaires